Negócios e investimento
Seleção de Empresas de Alto Crescimento da Ásia-Pacífico: Vitalidade Regional e Lições da América Latina
Interpretar a seleção das empresas de alto crescimento da Ásia-Pacífico do FT e Statista (8ª edição), analisar a lógica de crescimento regional que ela revela e fornecer referências para a América Latina.
Da seleção de empresas de alto crescimento na Ásia-Pacífico ao dinamismo econômico regional
O *Financial Times* (FT), em parceria com a consultoria Statista, lançou a edição de 2027 da seleção de empresas de alto crescimento da Ásia-Pacífico, a nona edição dessa lista. A premiação é voltada para empresas independentes de 15 economias da região, incluindo Austrália, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Singapura, que tenham registrado crescimento orgânico de receita entre 2022 e 2025, com receita mínima de US$ 100 mil em 2022 e de US$ 1 milhão em 2025. As inscrições vão até 30 de outubro de 2026, e a lista final será divulgada em março de 2027.
Realizada há oito anos, a premiação revela anualmente um grande número de empresas de alto crescimento. Em 2026, o primeiro lugar foi a plataforma de comércio eletrônico malaia Borong, e o segundo, o grupo jurídico e contábil sul-coreano Bznav. Essas empresas, que abrangem desde setores tradicionais até as fronteiras tecnológicas, refletem a diversidade e a resiliência da economia asiático-pacífica.
Por que a Ásia-Pacífico consegue gerar continuamente empresas de alto crescimento?
A região Ásia-Pacífico reúne as economias mais dinâmicas do mundo – desde o ecossistema industrial e digital da China, passando pela terceirização de serviços e inovação em TI da Índia, até o comércio eletrônico e a realocação de cadeias de suprimentos no Sudeste Asiático. A forte demanda interna, o vibrante capital de risco e a integração regional (como o RCEP) oferecem um amplo palco para as pequenas e médias empresas. Além disso, as empresas da região sabem aproveitar as oscilações do mercado global, crescendo de forma contracíclica por meio de atualizações tecnológicas e inovação em modelos de negócios.
O que a América Latina pode aprender com isso?
Embora haja diferenças estruturais e de políticas entre a América Latina e a Ásia-Pacífico, a trajetória de sucesso das empresas de alto crescimento asiáticas traz lições claras para a região latino-americana:
1. Tecnologia a serviço de setores tradicionais: O sucesso de plataformas de e-commerce como a Borong mostra que a transformação digital não é exclusividade das economias desenvolvidas. A América Latina deve acelerar a difusão de infraestruturas como fintech e logtech, reduzindo as barreiras para que pequenas e médias empresas participem da economia digital. 2. Apostar em nichos de mercado: Muitas empresas de alto crescimento na Ásia-Pacífico não são gigantes, mas focam em nichos específicos (como a produção de vinhos na Índia). A América Latina, com sua rica base de recursos agrícolas, minerais e energéticos, pode criar empresas exportadoras de alto valor agregado por meio de branding, certificações de sustentabilidade e marketing inovador. 3. Coordenação e abertura regionais: As empresas asiáticas se beneficiam das redes regionais de cadeias de suprimentos e dos acordos de livre comércio. Países latino-americanos como México e Chile já aprofundaram a cooperação por meio da Aliança do Pacífico e do Mercosul, mas as barreiras internas ainda são altas. Reforçar a conectividade regional (como a ferrovia bioceânica e as fronteiras digitais) abriria mais espaço de crescimento.
Sinal para investidores latino-americanos## Sinal para investidores latino-americanos
Os resultados anuais do ranking FT também refletem os fluxos de capital: tecnologia (comércio eletrônico, SaaS), saúde, energia limpa e manufatura avançada são os setores de crescimento mais rápido na Ásia-Pacífico. Investidores latino-americanos podem se espelhar nessas áreas, observando startups locais com potencial semelhante ou empresas de médio porte em expansão. Especialmente aquelas empresas latino-americanas que se beneficiam da realocação de cadeias produtivas (como a manufatura no México) ou da transição energética (como o lítio no Chile, o hidrogênio verde no Brasil) podem se tornar os próximos motores de crescimento regional.
Perspectiva de longo prazo: a América Latina pode ter seu próprio "ranking de empresas de alto crescimento"?
- Nos próximos 5 a 10 anos, se a América Latina quiser replicar a história de crescimento da Ásia-Pacífico, precisará:
- Melhorar o ambiente de financiamento para startups e cultivar um ecossistema de capital de risco;
- Avançar na educação tecnológica e treinamento em habilidades digitais para aumentar o capital humano;
- Reduzir barreiras não tarifárias e unificar regras de mercado;
- Abraçar a dupla transição verde e digital, aproveitando as dotações de recursos para ocupar novos setores.
Atualmente, a América Latina já viu o surgimento de gigantes regionais de tecnologia como Mercado Libre e Nubank, mas o dinamismo de crescimento das PMEs ainda precisa ser ativado. O ranking da Ásia-Pacífico oferece um espelho: a verdadeira competitividade regional não reside em algumas poucas gigantes, mas em milhares de empresas privadas em rápido crescimento.
Bússola de fontes · latamreport
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